O Orçamento da União sofrerá um corte de 31% na conversão dos valores para o real. Por esse motivo, o governo, segundo avaliação de parlamentares, não está preocupado com os vícios ainda mantidos pelo Congresso na elaboração da proposta para este ano. Nem o presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), nem o do Senado, Humberto Lucena (PMDB-PB), comentou as denúncias de que a Comissão de Orçamento manteve os métodos que a levaram a uma CPI. A votação do Orçamento de 94 será realizada em plenário nos dias 19, 20 e 21 deste mês. O artigo 25 parágrafo primeiro da Medida Provisória 542, do real, permite cortar mais e sem alarde os gastos públicos. Essa é a terceira proposta orçamentária que o Congresso examina este ano, e nas duas últimas foram feitos cortes. Mas ao ser descoberto pelas assessorias técnicas do Congresso, o artigo da MP provocou irritação nos membros da Comissão de Orçamento. "Essa forma de conversão não passa. Queremos um por um, sem aplicação da URV", reagiu o senador Mansueto de Lavor (PMDB-PE), relator setorial do orçamento dos Três Poderes e das Forças Armadas. Pela proposta do governo, o Orçamento para 94 totalizou US$311 bilhões ou CR$8,8 trilhões. Com a aplicação do fator de conversão estabelecido pela MP no valor de 66,8402, divididos pela URV do dia 30 de junho (CR$2.750,00), o total do Orçamento caiu para R$214,8 bilhões, correspondendo a uma redução de 31% (JB).