O presidente Itamar Franco ficou irritado com declaração do presidente da Argentina, Carlos Menem, a respeito do salário-mínimo no Brasil e ameaçou cancelar viagem a Buenos Aires, entre os dias quatro e seis de agosto, para discutir a formação do MERCOSUL. A frase que incomodou Itamar foi usada anteontem para condenar manifestação pública contra a política econômica do governo argentino. Quantas marchas teriam de fazer no Brasil, onde o mínimo é a metade do
81017 que ganha o aposentado argentino?, perguntou Menem, referindo-se ao salário-mínimo brasileiro, de US$64,79, e ao pago na Argentina, de US$200. O inconformismo de Itamar foi tamanho que ele convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Marcos Azambuja, para vir a Brasília. O presidente quer explicações, pois é a segunda vez, em menos de um mês, que Menem comete atos de deselegância com o Brasil. Itamar queixou-se que Menem aproveitou a sua ausência na reunião ibero- americana para sugerir o nome do presidente do México, Carlos Salinas de Gortari, para o comando da Organização Mundial de Comércio, embora já soubesse que o Brasil tinha indicado para o cargo o ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero. O presidente lembrou, no entanto, que Menem pediu desculpas, alegando desconhecer a indicação brasileira, e o Brasil as aceitou. Ontem, reagindo à atitude de Menem, Itamar também recorreu a dados econômicos para contestar a comparação feita pelo presidente argentino. O presidente Menem se esqueceu que nós temos um Produto Interno Bruto
81017 (PIB) duas vezes maior do que o de seu país; temos uma balança comercial
81017 alta, enquanto a da Argentina é deficitária; temos reservas de US$40
81017 bilhões e nossas indústrias não são sucateadas. ""Eu quero saber por que, de repente, num protesto no qual não tivemos nenhuma participação, e sequer o governo brasileiro incentivou, ele (Menem) aproveita uma manifestação contra seu governo para atacar o Brasil?", indagou Itamar. Em seguida, ironizou: "Só se ele já está com raiva da Copa", referindo-se à eliminação da Argentina. Lembrando que "Brasil e Argentina não podem ser comparados", por terem economia muito distintas, Itamar admitiu que realmente o salário-mínimo brasileiro é menor do que o argentino, mas avisou que "vamos chegar a um salário-mínimo muito maior" (O ESP).