O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, articulador nacional da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida e portador do vírus da AIDS, disse ter esperança de que dentro de cinco a 10 anos será anunciada a cura definitiva da doença. Ele se baseia nas últimas pesquisas científicas, a exemplo dos testes com as vacinas e o desenvolvimento de viricidas nos EUA, remédios que matam o vírus HIV. "O viricida dentro de pouco tempo vai ser aprovado, porque in vitro ele já foi testado e teve um resultado positivo", disse Betinho. O chefe do Laboratório de Pesquisas em AIDS, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), médico Mauro Schechter, disse que é difícil estabelecer um prazo para a descoberta de um remédio que ofereça a cura definitiva. "A velocidade dos estudos da doença foi a mais rápida da medicina até hoje, mas é difícil determinar um período", afirmou. Schechter considera que um teste eficaz em um laboratório não indica que vai dar certo ao ser testado em um ser humano. O médico disse que é mais importante acabar com a discriminação em relação aos portadores do vírus. "O Herbert Daniel, ex-dirigente da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) que morreu em 1992 de AIDS, dizia que a morte civil precede a morte física e isso é decretar o fim de qualquer tentativa de cura", disse ele. Betinho é portador do vírus da AIDS há 10 anos e não tem os sintomas da doença. Ele é hemofílico e contraiu o vírus da AIDS em uma transfusão de sangue. Na semana passada, ele lançou o livro "A Cura da AIDS", uma série de artigos, que discute, entre outros assuntos, que houve um grande erro da ciência em apontar a AIDS como uma doença incurável. "Hoje, que acompanha o andamento das pesquisas, sabe que a cura da AIDS está por vir, seja ela pela descoberta de um remédio ou a forma de encarar a doença", afirma. "Dizer para as pessoas que existe a possibilidade de cura é capaz de salvar muitas vidas", completou (JC).