O líder do PMDB no Senado, Mauro Benevides (CE), apresentou cinco emendas ao Orçamento de 1994 no valor de R$5,4 milhões beneficiando o município de Acaraú, onde o prefeito é cabo eleitoral da família. Uma delas é para concluir um hotel. Também o presidente do Congresso, Humberto Lucena (PMDB-PB) sugeriu emendas para obras que poderão render votos: construção do açude de Pedra Branca, e obras nos municípios de Cajazeiras, Patos, Brejo da Cruz, todos no interior da Paraíba, seu estado. O presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE) despejou todas as 25 emendas a que tinha direito para obras de infra-estrutura em municípios onde é bem votado, sendo uma delas para concluir o Hospital Municipal de Exu (PE). Outros parlamentares, inclusive citados no escândalo do Orçamento, mas absolvidos, como Daniel Silva (PPR-RS), Ézio Ferreira (PFL-AM), ou Paulo Portugal (PP-RJ), que ainda aguarda a votação de seu caso pelo plenário, voltaram a apresentar emendas para os redutos eleitorais e as entidades que controlam. Seis meses após a CPI que resultou em seis cassações de deputados, a Comissão de Orçamento continua a mesma. Os vícios voltaram a aparecer e até de forma mais grave: o poder político continua predominando na inclusão de emendas, os valores superestimados, a falta de parâmetros para avaliar o custo dos investimentos, além da volta das subvenções sociais e das emendas individuais e paroquiais apresentadas pelos candidatos à reeleição. Apesar das recomendações, o processo de elaboração do Orçamento não mudou. Com exceção do senador Fernando Henrique Cardoso (PSDB), todos os candidatos à Presidência e vice que são parlamentares apresentaram o total permitido de emendas ao Orçamento: 25 propostas. Todas beneficiando seus redutos eleitorais. Candidatos à Presidência: Esperidião Amin (PPR)-- emendas no valor de R$77,6 mil; Flávio Rocha (PL)-- R$366 mil. Candidatos a vice: Guilherme Palmeira (PFL)-- emendas no valor de R$83,9 mil; Darcy Ribeiro (PDT)-- R$21 mil e José Paulo Bisol (PSB)-- R$30 mil (JB).