Os representantes de Angola, Guiné, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe fazem questão da presença do presidente Itamar Franco na conferência que criará a Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP). O embaixador do Brasil em Portugal, José Aparecido de Oliveira-- idealizador da CPLP-- também terá lugar de honra. Esse foi o principal ponto discutido ontem, no Ministério português das Relações Exteriores, entre os embaixadores dos cinco países africanos, de Portugal e do Brasil, na primeira reunião preparatória da conferência, que ainda não tem data definida e acontecerá em Lisboa. A Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa já definiu sua estratégia. Cabo Verde, que não tem universidade, sediará a Universidade dos Sete. Guiné, espremida entre países de língua francesa, e Moçambique, rodeada de 90 milhões de habitantes que falam inglês, seriam bastiões da coordenação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. São Tomé se ocuparia da cooperação econômica e empresarial. E Angola, minada pela guerra mais longa do século, abrigaria o Parlamento da nova comunidade. Seria um golpe de mestre para resgatar um tesouro que a União Européia tenta convencer Portugal a abandonar. Mas o reitor da Universidade de Humanidades e Tecnologias, Fernando dos Santos Neves, garantiu: "Não há especiarias orientais nem ouro do Brasil nem milhões de europeus que substituam o projeto da CPLP" (JB).