O governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), entrou com duas ações por reparação de dano moral contra o jornal "O Globo" alegando que teve sua honra ofendida por charges publicadas durante o escândalo do jogo-do- bicho. Nilo, que teve seu nome citado no noticiário relativo às doações do "banqueiro" Castor de Andrade, diz, nas ações, que jamais recebeu qualquer valor que não tivesse origem lícita e, por isso, os cartunistas Chico Caruso e Erthal ofenderam sua honra ao fazerem caricaturas relacionando-o ao escândalo. O governador argumenta que, numa das charges, ele aparece retratado como um anão e que "se um chargista desenha o governador como um anão, está comparando-o aos anões do orçamento... está chamando-o de ladrão do dinheiro público". Para o cartunista Aroeira, que também está sendo processado, a ação abre precedente perigoso: "Só a ditadura tenta impedir um chargista de fazer seu trabalho livremente. Isso é um atentado à liberdade de imprensa". Nas ações, Nilo diz que sempre combateu o jogo-do-bicho e que, nos documentos apreendidos pelo Ministério Público, não há uma só anotação referente ao triênio em que esteve à frente das secretarias de Justiça e da Polícia Civil. As quantias atribuídas a ele cobrem apenas o período da campanha eleitoral. O único episódio que reconhece como real é o referente à doação dos bicheiros, a pedido do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, para a Associação Interdisciplinar de AIDS (ABIA). Ele admite ter intermediado o contato do sociólogo com a contravenção, mas a seu favor, alega que precisou de intermediários para entrar em contato com os bicheiros e diz que a doação se consumou semanas depois, sem seu conhecimento. Nilo ressalta que agiu como "cidadão privado, ajudando uma causa dramaticamente justa" (O Globo).