O primeiro levantamento dos principais indicadores científicos e tecnológicos feito no país desde a década de 80 até os dias atuais já está disponível na UNICAMP na forma eletrônica-- em disquetes. O trabalho, iniciado no final de 1992, foi patrocinado pelo Banco Mundial (BIRD) e realizado pelo Departamento de Política Científica e Tecnológica da UNICAMP, com a coordenação da professora Sandra Brisolla. Seu custo não ultrapassou US$10 mil. Confeccionado inicialmente na forma de caderno, todo o material coletado pelo grupo acabou sendo transcrito para uma linguagem eletrônica por profissionais da Rede Nacional de Pesquisas (RNP), dentro de um convênio entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Agora, sua divulgação está a cargo do BIRD, em uma edição da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para Sandra Brisolla, conhecer as dificuldades de formação de pessoal e carência de recursos, pode ser o primeiro passo para o país superar suas deficiências em ciência e tecnologia e corrigir os rumos de seu desenvolvimento. Usando números de outros países, o trabalho comparou os gastos em pesquisa e desenvolvimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto no Brasil o montante é atrelado ao aquecimento da economia para desenhar suas parábolas de crescimento, os demais países mantêm regularidade na aplicação de seus recursos. Essa relação percentual, segundo a professora, é a medida do esforço científico e tecnológico de um país e revela a importância que concede à pesquisa. Entre os gráficos importantes do trabalho, Sandra Brisolla destaca a divisão dos recursos da União para ciência e tecnologia, no último levantamento feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, em 1991. Neste ano, os gastos em administração e planejamento totalizaram 32,5% dos recursos (incluindo aqui salários de pesquisadores), enquanto educação e cultura atingiram 22,3%, agricultura 19,7%, defesa nacional e segurança pública 13,6%, saúde e saneamento 4,1% e energia e recursos minerais 5,2%. No segmento de empresas, o estudo mostra dados de estatais e privadas. "Se tomarmos quatro dos mais importantes centros de pesquisa das estatais em 1989, o investimento chegou a US$250 milhões, ou quase 40% do estimado para o total das estatais", esclareceu. No capítulo destinado à formação de recursos humanos, Sandra Brisolla ressalta que o número de alunos por curso de mestrado e doutorado ainda é bastante reduzido tanto em relação ao pequeno efetivo de professores titulados em cursos de pós-graduação como pelo elevado tempo em que os pós-graduados demoram para titular-se nas universidades brasileiras. Da década de 80 para a de 90, o total de alunos de mestrado cresceu pouco mais de 10%, enquanto em doutorado o contingente multiplicou-se duas vezes e meia. O número de mestres subiu 33% em uma década e o de doutores mais que dobrou. Há uma concentração de docentes e alunos no Sudeste do país-- 96,5% dos doutores e 71% dos mestres são titulados em universidades dessa região-- e conforme os indicadores do estudo, os alunos estão mais dirigidos às ciências biológicas, tecnológicas e exatas, mais que às humanas e sociais. O trabalho também revela números da cooperação internacional-- recursos recebidos de fundações e agências com o objetivo de formar instituições de ensino e pesquisa no Brasil. Os últimos dados de 1990 mostram que o montante chegou a US$1,3 bilhão, dos quais US$97 milhões a fundo perdido, US$156,3 milhões como empréstimos contendo pelo menos uma quarta parte de recursos governamentais a fundo perdido e US$1,18 bilhão como empréstimos normais (capital assistance) (GM).