O ministro do Planejamento, Beni Veras, anunciou ontem, em rede nacional de rádio e televisão, que o governo vai redirecionar recursos orçamentários do Ministério da Saúde, no valor de R$747 milhões, para programas de saúde preventiva na região Nordeste, com o propósito de reverter o quadro de mortalidade infantil, que teve considerável crescimento no início deste ano em relação a 1993. O programa prevê ações de combate à cólera e às endemias regionais, no incentivo ao aleitamento materno e na distribuição de medicamentos. Segundo o ministro, já foram liberados R$160 milhões para as áreas de educação, bem-estar social e saúde. Isso permitirá que as creches subvencionadas pelo público permaneçam abertas nos finais de semana, para que as crianças possam receber assistência e alimentação balanceada sem interrupção. Com o mesmo objetivo, a merenda escolar continuará a ser distribuída durante as férias de julho, para que a população beneficiada possa ter, em casa, a mesma alimentação que recebe nas escolas. O Ministério da Saúde, a quem caberá a maior parte dos recursos, aplicará imediatamente R$38 milhões para a compra e distribuição de medicamentos e complementos nutritivos; R$28 milhões para programas comunitários de saúde; R$55 milhões no controle e combate de endemias e R$10 milhões em imunizações e ambulatórios volantes. O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), dom Mauro Morelli, também se pronunciou no rádio e na TV, afirmando que o problema não diz respeito ao governo, mas ultrapassa barreiras ideológicas, partidárias, religiosas e culturais. "Vamos nos unir para resgatar a dignidade humana não apenas dos famintos e excluídos, mas de todos quantos cada dia temos um lugar à mesa de refeições", completou. Dom Mauro lamentou que a crise sócio-econômica atinja principalmente as crianças (JC) (FSP) (JB).