BRASIL NO RANKING MUNDIAL DA VIOLÊNCIA

O Brasil figura entre os 15 países onde foram registrados os maiores casos de violência praticados por forças policiais e "justiceiros" durante o ano passado, segundo o relatório de 1994 da Anistia Internacional. O documento destaca, entre outros, os massacres da Candelária e da Favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, e do presídio do Carandiru, em São Paulo. Como nos anos anteriores, a Anistia aponta que centenas de adolescentes e crianças de rua foram eliminadas em 1993 por policiais e esquadrões da morte nas principais cidades do país. Nas zonas rurais, camponeses e membros das comunidades indígenas continuam sendo vítimas de execuções extrajudiciais. Em 352 páginas, o relatório aborda 151 países e verifica que os padrões de violações de direitos humanos que a Anistia quer combater têm se tornado cada vez mais complexos. "A desintegração da autoridade do Estado enseja mais medo e miséria", resume o documento. Durante o ano passado, 61 países registraram assassinatos políticos, 112 utilizaram torturas e maus-tratos e 63 mantiveram 100 mil prisioneiros encarcerados em condições desumanas. O relatório de 1994 da Anistia Internacional mostra que na Europa a situação mais grave ocorreu na Bósnia-Herzegovina, onde foram cometidos centenas de homicídios deliberados e arbitrários. Em outros 26 países europeus-- entre eles a Espanha, França, Itália e Portugal-- registraram-se casos de tortura. Na Turquia, 24 presos também morreram torturados. Na África negra, assassinatos políticos foram a principal forma de violência aos direitos humanos. A Anistia Internacional destaca também um dado preocupante: os defensores dos direitos humanos são geralmente as primeiras vítimas dos governos que denunciam. E pede que a ONU "leve adiante o projeto de declaração para proteger o trabalho dessas pessoas, em elaboração há nove anos" (O ESP) (O Globo).