O crescente aumento da violência nas grandes cidades brasileiras levou a Anistia Internacional a elaborar um relatório específico sobre o Brasil. O documento só será divulgado ano que vem, mas a entidade já está levantando dados que mostram o crescimento da violência no país nos últimos cinco anos. A situação é muito preocupante, e isso deve gerar um relatório
80979 específico da Anistia. Proporcionalmente, a violência em Recife (PE) é
80979 muito maior do que em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ), disse ontem a diretora da Anistia Internacional, Monica Hummel, ao divulgar o relatório anual da entidade junto ao presidente da seção brasileira, Carlos Alberto Idoeta. Idoeta se queixou da falta de atitudes concretas do governo brasileiro na questão dos direitos humanos. Reclamou especificamente do governo do Rio de Janeiro, alertado recentemente para a falta de segurança dos menores de rua que testemunharam a chacina da Candelária: "Avisamos ao governo que os menores continuavam a morar nas ruas sem proteção. Mas não tomaram qualquer tipo de atitude", disse ele. O Brasil é um dos países a ocupar mais espaço no relatório da Anistia. Nas páginas destinadas ao país estão chacinas como a da Candelária e a de Vigário Geral, no Rio, e a da Casa de Detenção, em São Paulo. Estes crimes alcançaram repercussão internacional, mas assassinatos pouco divulgados-- como a execução de Reinaldo Silva, em Corumbá (MS)-- também fazem parte do relatório. Reinaldo, que estava hospitalizado e sob proteção policial, era acusado da morte de um policial militar. Segundo testemunhas, o hospital foi invadido por mais de 40 policiais, que o executaram na cama. Consta também do relatório o assassinato do vereador Renildo José dos Santos, em Coqueiro Seco (AL). Ele vinha recebendo ameaças de morte por brigas políticas locais e foi sequ"estrado por um grupo supostamente integrado por PMs. O corpo do vereador foi encontrado decapitado e com marcas de tortura (O Globo).