PLANO QUER REPATRIAR SERINGUEIROS

O Conselho Nacional de Seringueiros quer repatriar parte dos 15 mil brasileiros que trabalham em seringais bolivianos para incorporá-los ao plano de expansão produtiva da reserva extrativista Chico Mendes, de 970 mil hectares, localizada entre os municípios de Xapuri e Rio Branco, no Acre. A iniciativa é uma das metas do programa a ser financiado pelo Banco Mundial (BIRD) no valor de US$2 milhões, com recursos do G-8 (Grupo dos oito países mais ricos) para a proteção das florestas na Amazônia. Para ter um rebanho bovino estimado em mais de um milhão de cabeças, o Acre pagou um alto preço ambiental: entre as décadas de 60 e 70, desmatou milhares de hectares de florestas, destruiu seringais inteiros e obrigou cerca de 15 mil brasileiros a migrarem à cidade de Pando, na Amazônia boliviana. O levantamento de seringueiros brasileiros na Bolívia foi realizado em 1992, pela Diocese de Rio Branco e Vicariato de Pando. Na Bolívia, os brasileiros são obrigados a pagar renda mensal aos donos da terra onde trabalham e vivem irregularmente no país. Comissão de deputados da Assembléia Legislativa do Acre constatou, em novembro de 1992, que muitos brasileiros eram humilhados e alguns torturados por policiais bolivianos, por não conseguirem pagar as taxas escorchantes exigidas pelos proprietários. Os seringueiros repatriados vão participar de processo extrativista menos danoso a si próprios e ao meio ambiente. Atualmente, vivem e trabalham na reserva 1.430 famílias de seringueiros. O plano de repatriamento dos seringueiros brasileiros enfrenta um único problema. O BIRD exige que os 970 mil hectares da reserva Chico Mendes sejam regularizados fundiariamente, com contrato de concessão real de uso pelo governo federal (JB).