DOENÇA DA FOME EXTREMA VOLTA AO NORDESTE

A pelagra-- doença da fome extrema-- está voltando à região do agreste pernambucano. A pelagra é conhecida como a "doença dos quatro d": diarréia, dermatite, demência e "death" (morte em inglês). No mundo, só foram localizados casos entre refugiados de guerra e em algumas regiões paupérrimas da Índia. Só no ano passado, porém, 86 doentes foram confirmados entre 125 moradores de Bezerros, no agreste pernambucano. A cidade fica a 105 km de Recife e a pesquisa, iniciada em agosto por professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi interrompida dois meses depois. Medicamentos e a distribuição de cestas básicas teriam feito a doença retroceder no início do ano. Moradores da região dizem que agora ela voltou com mais força. A fome aumentou nos últimos meses, diz Geraldo Peixoto, coordenador da Associação dos Filhos e Moradores de Bezerros (Afab). Ele diz que a Afab e a campanha contra a fome, coordenadada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, continuaram fornecendo alimentos para as famílias, mas que a ajuda cessou com as chuvas. Segundo ele, as colheitas só virão em um ou dois meses. "Até lá, muitos novos casos surgirão". O secretário estadual de Saúde de Pernambuco, Danilo Campos, disse, porém, que "não há, no momento, notificação de pelagra no estado". Segundo ele, o governo do estado vem doando 700 toneladas mensais de alimentos para áreas carentes. Sônia Lucena de Andrade, professora de nutrição e saúde pública da UFPE, diz que, quando as vítimas da pelagra-- na maioria mulheres e crianças-- voltam a se alimentar, as doenças de pele e a diarréia desaparecem, mas a demência pode continuar. A pelagra é causada por deficiência da niacina, uma vitamina do complexo B. Segundo Sônia, a causa é alimentação pobre. Não foram registrados casos de morte (FSP).