AÇÃO DE DROGADOS COM AIDS DIFICULTA TRATAMENTO

Médicos infectologistas, psicólogos e especialistas ligados ao Ministério da Saúde estão preocupados e, ao mesmo tempol, frustrados. Em 14 anos de epidemia da AIDS no país, ainda não encontraram uma metodologia adequada para abordar e tratar os consumidores de drogas injetáveis portadores do HIV. Na prática, não sabem como lidar com a resistência do grupo às formas de proteção e com a falta de continuidade dos tratamentos. A situação é considerada grave, pois esse é o grupo que apresenta os maiores índices de crescimento em número de casos notificados. Os 59 casos registrados no período 84/86-- 47 homens e 12 mulheres-- passaram para 2.711 até abril deste ano, num total de 11.626 notificações, o que dá um crescimento de 4.505% em 10 anos. Esse índice faz dos drogados o segundo maior grupo contaminado pelo HIV, atrás apenas dos homossexuais, com 13.171 notificações no mesmo período. Eles são instáveis e difícies de aceitar um determinado padrão de
80954 comportamento, conta o médico André Lomar, diretor-científico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo. "É difícil confiar neles, pois mentem e costumam ter personalidade difícil", afirma. Para ele, esse grupo precisa ser tratado com um programa de saúde mental específica e exige uma abordagem diferente da que é feita com pessoas contaminadas por via sexual. Só que ainda não encontraram esse caminho. Falta estrutura para isso e a sociedade não está discutindo droga
80954 adequadamente, observa. ""A situação é pior do que se imagina"" (O ESP).