REAL COMEÇA COM VALOR 7,5% MAIOR QUE O DÓLAR

A nova moeda brasileira, o real, começa sua vida útil valendo 7,5% a maior que o dólar norte-americano. O Banco Central sinalizou esta minivalorização do real quando anunciou que a paridade da nova moeda equivalia a US$1, mas só aceitava vendê-la para o mercado por R$0,93, no último dia de vigência do cruzeiro real, semana passada. Ontem, o BC não participou do mercado de câmbio, mas manteve o poder de compra do brasileiro 7,5% maior em relação ao dos norte-americanos. Esta decisão do governo é parte fundamental no Plano Real. Pertence à mesma família de medidas para conter o volume de moeda em circulação na economia, como o aumento do compulsório sobre os recursos dos bancos e alta taxa de juros interna. Segundo analistas, esta meta só poderia ser conseguida com a construção de barreiras para impedir o ingresso de dólares de investidores estrangeiros no país, atraídos pelas altas taxas de juros. Se o governo não colocasse este pedágio de 7,5%, imensos volumes de dólares entrariam no país. É que, com o câmbio fixo, o capital externo ganharia juro alto e mais inflação (o preço do dólar está congelado). Agora, o investidor estrangeiro continua podendo ingressar com dólares para aplicar no mercado financeiro, mas ao resgatar a aplicação e voltar ao país de origem pagaria 7,5% a mais de reais ao BC para retornar com o mesmo volume de dinheiro que chegou ao país (O ESP).