Empresas privadas, organizações não-governamentais (ONGs), escolas e clubes de usuários vão poder se ligar à Rede Nacional de Pesquisa (RNP). O acesso à RNP, até agora restrito a instituições de pesquisa, órgãos e empresas do governo, permite a conexão direta à Internet, a famosa rede internacional de comunicação de dados, uma porta aberta para os mais de 20 milhões de pessoas que hoje se comunicam pela rede em todo o mundo. No Brasil, são mais de 30 mil pessoas conectadas à RNP. O cadastramento dos novos usuários começou timidamente, mas a expectativa é de um crescimento geométrico até o final do ano. Apenas algumas escolas, ONGs, e federações já estão ligadas à RNP. Mas, a partir de outubro, quando a RNP ganhar a velocidade de 2 MBPs (milhões de bits por segundo) nas principais capitais do Brasil, o número de usuários poderá crescer. Hoje, a RNP funciona com velocidade baixas em todo o país, o que provoca constantes congestionamentos na comunicação, principalmente nos horários de pico. Segundo Eratóstenes de Araújo, coordenador de inovação tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), instituição responsável pela RNP, os novos assinantes não poderão usar a rede para fins comerciais. "A rede tem um código de ética que deverá ser seguido", explica ele. Transmitir mensagens de discriminação, de propaganda e de faturas de compras não é possível pela rede. A RNP, entretanto, está aberta a catálogos de livros, discos e material científico. Os pedidos podem ser feitos pela rede. O uso irregular da rede é hoje a maior preocupação do CNPq, que pretende criar uma identidade jurídica e organizacional para a rede, que deve fortalecer o controle e o monitoramento dos assinantes. "A própria comunidade de assinantes fiscaliza", diz Erástones, que conta a história de um advogado norte-americano, que perdeu o seu acesso à Internet e agora luta na Justiça para reavê-lo, porque divulgou na rede propaganda dos seus serviços. "Ele recebeu mais de 30 mil mensagens com reclamações", revela. Para cada perfil de usuário haverá representantes autorizados a cadastrar novos assinantes. No caso das ONGs, o acesso será oferecido por algumas ONGs representativas e, para as empresas, os pontos de acesso serão operados pelas federações e associações. O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), dirigido pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, já está cadastrando assinantes de ONGs (JC).