VIRGINDADE INDENIZADA NA JUSTIÇA

A secretária Cacilda Barbosa Filho, de 29 anos, jamais poderia imaginar que uma consulta médica lhe causaria tamanho trauma. Há cinco anos, ela foi ao consultório da ginecologista Maria Aló Filgueiras que, apesar de advertida de que a paciente era virgem, submeteu-a ao exame vaginal com o instrumento chamado "bico-de-pato". Mesmo diante dos gritos de Cacilda, a médica não parou e acabou desvirginando a paciente. Graças ao laudo positivo do exame de corpo delito que Cacilda se submeteu no Instituto Médico Legal (IML), o juiz da 17a. Vara Cível do Rio de Janeiro (RJ), Sérgio Lúcio, determinou que a médica pague indenização de 100 salários-mínimos (R$6.479). O caminho em busca de justiça, porém, foi tão traumático quanto aquela consulta. "Fui à Delegacia de Mulheres e debocharam de mil", diz Cacilda ressentida. Ela só conseguiu respeito na 12a. DP, onde os policiais lhe forneceram o pedido de exame de corpo de delito. De posse do laudo positivo, a secretária acionou o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), que arquivou o caso. Só depois de muita pressão da advogada Célia Destri, o processo foi reaberto em 1992. Segundo a direção do Cremerj, o resultado do processo que poderá cassar a licença da médica sai ainda este ano. A causa ganha e a indenização, no entanto, não pagaram o sofrimento de Cacilda que, devido ao trauma, teve de operar os pés, que começaram a entortar de tão flácidos que ficaram seus tendões. Cacilda recebeu também assessoria jurídica da Associação das Vítimas de Erros Médicos. A presidente da Associação, Célia Destre, disse que a vitória da secretária fortalece a entidade, fundada há três anos. Neste período, com 300 processos na Justiça, a associação ganhou 20 causas e não perdeu uma sequer (O Dia) (O Globo).