RIO SERÁ EM 95 CAPITAL MUNDIAL DOS HOMOSSEXUAIS

Em 1995, o Rio de Janeiro vai ser a capital internacional dos homossexuais, ao sediar o XVII Congresso Mundial da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (Ilga, sigla em inglês). A decisão foi tomada ontem, durante reunião anual da organização, que tem estatuto consultivo no Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ONU). Os mais de 400 delegados de 60 países dos cinco continentes pediram o esclarecimento dos assassinatos de sete ativistas gays no estado de Chiapas, no sul do México, há dois anos, e denunciaram que mais de 30 ativistas homossexuais foram assassinados nos últimos três anos no país. No Equador, Chile e Nicarágua-- denuncia a Ilga--, continuam existindo leis que reprimem a orientação sexual gay. Na China, por outro lado, a repressão contra o homossexualismo se traduz no internamento forçado em hospitais psiquiátricos de mais de 1.800 pessoas. Na Rússia, onde o homossexualismo foi despenalizado, as suas associações não foram legalizadas e há cerca de 200 gays e lésbicas presos. A Ilga decidiu criar um grupo de trabalho para coordenar e documentar a luta contra a AIDS, que será coordenado pela Liga Lambda, da Colômbia. A doença é uma das principais preocupações da organização, que está pedindo à ONU a intensificação do combate à AIDS e que os doentes não sofram discriminação. A Ilga também reivindica a ampliação aos gays e lésbicas da Declaração Universão dos Direitos Humanos e que a ONU investigue e denuncie a violação de seus direitos. No Brasil, entidades homossexuais, como o Grupo Atobá, querem marcar o evento do próximo ano pedindo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o registro provisório do PIS (Partido da Igualdade Sexual) (O Globo).