O ex-deputado João Alves (sem partido-BA), o mais conhecido "anão" da comissão de Orçamento, quer eleger deputados na Bahia. Alves vai tentar transferir seus votos a outros candidatos de sua "confiança". Em vários estados, candidatos a uma vaga na Câmara vão "herdar" os votos dos acusados de desviar dinheiro público pela CPI do Orçamento e que renunciaram ou foram cassados. Os deputados cassados e os que renunciaram para fugir da cassação estão proibidos de se candidatar até as eleições de 1998. O apoio dos ex-deputados é uma forma de continuar influenciando nas decisões políticas no estado. Na Bahia, o atual deputado estadual Raimundo Caires (PMDB) quer os votos do ex-deputado Genebaldo Correia (PMDB-BA). Como Alves, Correia renunciou a seu mandato em março para fugir ao julgamento pela Câmara de seu pedido de cassação. Caires ocupou a vaga de candidato que era de Correia e quer também os cerca de 20 mil votos dos 17 municípios onde o ex-deputado era mais votado. Ao contrário de Alves, o "anão" José Geraldo Ribeiro (PMDB-MG), que foi cassado, afirmou que não participará das campanhas neste ano. "Liberei todas as pessoas que estavam ligadas a mim para votar em quem quiserem", disse. O deputado Flávio Derzi (PP-MS) diz que será o candidato mais bem votado no estado nas próximas eleições. Como Derzi, os deputados acusados pela CPI do Orçamento e inocentados no julgamento pela Câmara preparam o retorno nas próximas eleições. O deputado Ézio Ferreira (PFL-AM) diz que decide na próxima semana se vai concorrer à reeleição. Na dúvida, ele inscreveu sua mulher, Graça Ferreira, como candidata do partido. Os cassados Carlos Benevides (PMDB-PE) e Fábio Raunheitti (PTB-RJ) também estão em campanha para eleger aliados. O sucessor de Raunheitti deverá ser seu sobrinho Fernando Gonçalves (PTB-RJ), deputado estadual e membro da diretoria da Sociedade de Ensino Superior de Nova Iguaçu (Sesni), que se beneficiou com cerca de US$14 milhões de verbas de subvenção social. Para assegurar sua influência na Câmara, Carlos Benevides se empenha na eleição do ex-prefeito de Aracajú (SE), Aníbal Ferreira Gomes, incluído no processo que apurou o desvio de US$1 milhão de subvenção social destinados à Fundação Amadeo Filomeno, da qual era o presidente. Ainda em Pernambuco, a disputa é pela "herança" política do deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE), que foi absolvido e mantém a promessa de se afastar da vida pública. Além do antigo aliado Zito Cavalcanti (PFL-PE), deverão receber os votos de seu eleitorado os deputados pefelistas José Mendonça, José Múcio e Osvaldo Coelho (FSP) (O Globo).