O ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, afirmou ontem que os prefeitos que aumentaram demais ou arredondaram a tarifa de transportes coletivos urbanos têm até hoje para se redimir. "Ainda é hora de absolvição", disse. Se isso não ocorrer, o ministro promete colocar à disposição das associações civis todas as informações disponíveis no governo para que as práticas sejam questionadas na Justiça. O presidente Itamar Franco solicitou à equipe econômica que faça um levantamento das linhas de crédito das prefeituras nos bancos federais, para eventual suspensão, e ameaça aplicar a Lei Delegada no. 4, interditando os estabelecimentos que insistirem em aumentar preços. O presidente está indignado com o tarifaço das prefeituras e disse a assessores que não deixará que o plano seja atropelado. Ele espera que as prefeituras recuem. O ministro da Fazenda anunciou também que vai formar "uma força auxiliar para acompanhar o que está ocorrendo com os preços". Ele disse que convocará funcionários do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Ministério da Fazenda para montar essa "força auxiliar". Ricúpero informou ainda que vai criar dentro do ministério a "Unidade de Política de Preços", uma nova assessoria ligada diretamente ao seu gabinete. Ela vai acompanhar os aumentos e negociar, com indústria e comércio, a queda dos preços. O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, recomendou aos ministérios públicos estaduais, aos Procons e às associações de consumidores que entrem na Justiça contra os aumentos abusivos de preços. Ele disse que os processos podem se basear na regra da conversão dos salários, para exigir que os preços sigam o mesmo critério (GM) (FSP) (O Globo).