Os sem-terra, sem-teto, sem-saúde e mais uma série de organizações possuem agora uma espécie de "holding" (controladora) que congrega entidades de marginalizados de todo o país. Trata-se da Central de Movimentos Populares (CMP), criada no final do ano passado e que já filiou 30 entidades, que representam os chamados "excluídos sociais" e minorias. A organização atua em 12 estados. A CMP é uma espécie de Central Única dos Trabalhadores (CUT) dos indigentes e dos desempregados. O domínio político, a exemplo da CUT, também é do Partido dos Trabalhadores (PT). É mantida pelas entidades filiadas e também com recursos obtidos junto a entidades estrangeiras, como agentes de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A sede fica na rua Sebastião Alves Faria (região central de São Paulo, capital), onde sete coordenadores, de todas as regiões do país, dividem a administração. Na hipótese de uma vitória petista nas eleições, as expectativas desses movimentos serão um dos maiores focos de pressão sobre Luiz Inácio Lula da Silva. Os sem-terra querem legalizar a posse dos terrenos ocupados por 16,7 mil famílias, os sem-teto pretendem resolver o problema da falta de pelo menos oito milhões de moradias e assim por diante. A CMP possui 25 mil militantes nas mais diferentes entidades. Do Movimento Popular de Saúde-- que cuida dos chamados "sem-saúde"-- às organizações de gays e lésbicas, a entidade procura abranger todos os setores da militância organizada. A função da "holding" é transformar em pressão política as reivindicações regionais das organizações populares. Segundo os coordenadores, a Central não fica somente restrita ao PT e mantém laços de atividades com grupos do PC do B, PSB e PSTU-- partidos aliados na defesa da candidatura de Lula. A reforma urbana é a prioridade da CMP. Os movimentos que reúnem favelados e sem-tetos representam a maior força na CMP. Embora as atenções políticas hoje estejam mais voltadas para os sem-terra, os conflitos nas grandes metrópoles, na avaliação dos dirigentes da Central, têm acontecido com maior frequ"ência. Numa cidade como Recife (PE), por exemplo, acontece uma média de oito ocupações de terrenos a cada dia. Lá, existem 251 favelas. Além da atenção aos grupos ligados às reformas agrária e urbana, a CMP tem uma preocupação permanente com mudanças comportamentais na sociedade. Por este motivo é que tem, entre seus "planos e bandeiras de lutas", a defesa da inclusão nos currículos escolares de uma "educação sexual não sexista". Traduzindo: uma educação sexual que não pregue a supremacia de um sexo sobre o outro, estabelecendo-se a igualdade entre homens e mulheres (FSP).