QUESTÕES RELATIVAS À MULHER PERDEM ESPAÇO PARA CRISE SOCIAL

O número de mulheres na política aumentou, e os problemas especificamente femininos atingem milhões de pessoas. Mas, desde o início desta campanha eleitoral, as "questões de gênero" parecem não existir. Para muitas das candidatas à Câmara, a extensão da miséria torna aparentemente menor a reivindicação especificamente feminina. "Os problemas da mulher são gravíssimos, mas se diluem por causa da imensidão da crise", diz Rose de Freitas (PSDB-ES), que deixa a Câmara para se candidatar ao governo do estado. No Brasil, a renda média das mulheres é um terço da masculina. Todos os dias, são notificados cerca de 500 casos de violência contra a mulher, entre estupros e espancamentos domésticos. Para algumas candidatas, como a deputada Maria Valadão (PPR-GO), candidata à reeleição, a questão não preocupa. "A vida nacional tem outras prioridades. Não é preciso organizar mulheres para termos mais deputadas nem é preciso rasgar essas bandeiras. Cada mulher tem de conquistar seu espaço", diz. A estreante Marta Suplicy (PT-SP), candidata à Câmara, discorda e acha que a discussão ainda nem começou, apesar de considerar que a crise social abafa problemas como a disparidade salarial entre homens e mulheres. Da esquerda à direita, há três unanimidades entre as candidatas. A primeira é a queixa contra preconceitos dentro de seus partidos. A segundo é a preocupação em contestar a idéia de que a função das mulheres na política seja apenas defender os próprios direitos. A terceira é a ainda minúscula participação feminina na Câmara e as dificuldades que isso traz para a publicidade dos problemas da mulher. No total dos atuais deputados, as mulheres são 6%. No eleitorado, elas são 49,6%. "Aumentar as bancadas já ajudaria a diminuir o preconceito", diz Rose de Freitas (FSP).