ESTUDIOSOS APONTAM PRECONCEITO CONTRA NEGROS NO BRASIL

Ao que tudo indica, o mito da democracia racial no Brasil não passa de um ideal, ainda distante da realidade do país. De acordo com alguns estudiosos, o brasileiro, no fundo, tem vergonha de assumir seu preconceito. "E, o que é pior, pratica atos cotidianos de discriminação de forma camuflada, implícita, nem por isso menos nociva", afirma Maria Luiza Tucci Carneiro, professora do Departamento de História da USP, que este mês lança, pela Editoda Ática, "O Racismo na História do Brasil - Mito e Realidade", seu terceiro livro sobre o tema. Voltado para alunos de 2o. grau, o livro mostra fatos desde o Brasil Colônia até os dias de hoje e chega a tristes conclusões: "Guardadas as devidas proporções, o inimigo aqui é de certa forma tão forte quanto na África do Sul, onde as barbaridades do racismo são inomináveis", diz ela. Os dados do IBGE confirmam a discriminação no Brasil. Segundo o "Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil", publicado em março, o rendimento médio de brancos atingiu 5,3 salários-mínimos (dados de 1990), mais do que o dobro do recebido por negros e pardos (quase 50% da população), que não ultrapassou 2,5 salários. São tão poucos os representantes da raça que conseguem ser donos dos meios de produção, ou mesmo que chegam a cargos de chefia nas empresas que, estatisticamente, não há registro. O SOS Racismo, uma organização não-governamental, criada há seis anos, realizou uma pesquisa no Tribunal de Justiça de São Paulo e concluiu que nos últimos 40 anos não há um caso de condenação por crime de
80911 racismo, diz Sonia Maria Pereira do Nascimento, advogada e coordenadora do serviço. A Lei 7.716 da Constituição determina pena de três a cinco anos de reclusão para os casos de discriminação por raça, cor ou sexo (O ESP).