CALMA NOS BANCOS E CONFUSÃO NOS PREÇOS

O primeiro dia de circulação do real foi mais tranquIlo do que o esperado nas agências bancárias, que abriram apenas para a troca de moeda e saques. No comércio, entretanto, a confusão foi generalizada, à exceção dos grandes supermercados, que operaram com preços em reais e em cruzeiros reais. O grande obstáculo foi o troco. Pequenos comerciantes não possuíam reais, e os clientes não queriam receber o troco em cruzeiros reais. O jeito foi pagar em cheque e levar um susto com o aumento dos preços. Muitos comerciantes aumentaram seus preços arrendondando os centavos para cima. Os camelôs, confusos na hora da conversão, aceitaram de tudo, reais, cruzeiros reais, dólar, tíquete-refeição e vale- transporte. Até estados e prefeituras burlaram a conversão: no Rio de Janeiro, por exemplo, as passagens de ônibus e os estacionamentos públicos foram reajustados. O mesmo ocorreu no Distrito Federal e em outras capitais do país. A indústria de panificação foi convocada para explicar os aumentos nos preços do pão. Segundo o DIEESE, o preço da cesta básica subiu 0,51% na virada para o real. De acordo com o Procon, os supermercados aumentaram preços em até 68,29% do dia 30 para o dia 1o.. Nas lojas, os preços chegaram a variar 214%. O presidente Itamar Franco recomendou que os consumidores movam ações populares contra os especuladores. Momentos depois de participar da cerimônia simbólica de troca de cruzeiros reais por reais, em duas agência bancárias do Palácio do Planalto, ontem, o presidente Itamar Franco disse que o próximo passo do governo para estabilizar a economia terá por objetivo baixar os juros cobrados no mercado financeiro. O ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, que o acompanhava, previu que em menos de dois meses os juros terão queda significativa-- pelo menos nominal--, a exemplo do que ocorre no over, que projeta para os próximos dias uma queda dos 60% atuais para 8% ou 9% (JC) (O Globo) (JB) (O ESP).