A REPERCUSSÃO DO PLANO REAL

Alguns candidatos à Presidência da República e empresários comentaram ontem a edição do Plano Real. A seguir, alguns comentários: Fernando Henrique Cardoso (candidato do PSDB)-- "Todos sabem que a taxa de juros vai cair e que a ciranda financeira vai acabar. Como eles ganhavam mais dinheiro no sistema financeiro do que no sistema produtivo, agoram querem se garantir fazendo que o consumidor pague o pato. Inflação com dois dígitos, daqui por diante, só se for anual". Luiz Inácio Lula da Silva (candidato do PT)-- "A parte boa do plano foi o governo ter tido coragem de fazer alguma coisa". A parte ruim é que "o ajuste foi feito em cima dos trabalhadores". Orestes Quércia (candidato do PMDB)-- "Nada está previsto em continuidade à entrada do real. Tudo acaba na eleição. O que o governo está fazendo é criar uma nova moeda equiparada ao dólar, o que fatalmente irá reduzir a inflação. Mas nada está previsto para depois". Leonel Brizola (candidato do PDT)-- "O povo brasileiro não vai acreditar nesta farsa novamente. Logo que assumir, eu duplico o salário que o Itamar deixar. Se for US$75, vai para US$150". Esperidião Amin (candidato do PPR)-- Considera o plano eleitoreiro, porque foi adotado sem os requisitos prévios, sem as alterações que a
80886 revisão constitucional propiciaria em questões políticas e econômicas e
80886 um ajuste fiscal e reformas na previdência. O ponto forte é que o plano
80886 não agride as regras vigentes. Antônio Ermírio de Moraes (vice-presidente do Grupo Votorantim)-- Defendeu uma política de incentivo às exportações como forma de evitar o agravamento do desemprego na era do real. Afirmou que a redução da carga tributária das empresas poderia ser uma medida a ser adotada pelo governo para estimular a contratação de mão-de-obra. André Beer (vice-presidente da General Motors)-- "Estamos confiantes no plano. Achamos que terá resultados satisfatórios. A inflação deve ficar em um patamar baixo, o que vai garantir estabilidade econômica". Mário Amato (presidente da CNI)-- Aconselhou a população a não consumir no primeiro mês do real, até que os preços se acomodem. Defendeu o real afirmando que o trabalhador terá "salário" a partir de julho. Mario Bernardini (diretor da FIESP)-- "O plano vai ter sucesso. Torcemos para que esse sucesso seja o mais permanente possível porque a estabilização da moeda interessa a quem produz" (FSP).