Dos 3.236 homicídios dolosos ocorridos no Município do Rio de Janeiro (RJ) em 1992, apenas 7,7% se tranformaram em processos. Nos demais 92,3% dos casos, os assassinos continuam impunes por falta de informação nos inquéritos. A impunidade também é a marca dos inquéritos referentes a roubo seguido de morte: dos 157 casos registrados em 92, só 8,9% chegaram à Justiça. As informações constam do quarto relatório sobre violência no Rio, entregue ontem aos secretários de Polícia Militar, Nazareth Cerqueira; da Polícia Civil, Mário Covas; e da Justiça, Arthur Lavigne. A pesquisa, que traça o perfil da violência na cidade, foi feita pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), com coordenação do antropólogo Luís Eduardo Soares e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado (FAPERJ). Dos inquéritos que chegaram à Justiça, 65% referiam-se a brigas
80883 interpessoais, exatamente as menos graves do ponto de vista da violência
80883 urbana. As investigações que avançam são as referentes a crimes mais
80883 fáceis. Em outros crimes a comunidade não fala por temer os traficantes,
80883 o que só faz ampliar o poder do tráfico e fragilizar a ação da
80883 polícia, afirma Soares. A pesquisa revela também que, em sua maioria, os homicídios de mulheres são delitos de caráter interpessoal. As vítimas têm mais de 35 anos e os crimes frequ"entemente ocorrem em casa. Os assassinos, em geral, são os maridos, companheiros e amantes e embora as armas de fogo sejam predominantes, as armas brancas são utilizadas em grande escala (O Globo) (JB).