Sem-terra que ocupam a Fazenda Ipanema, em Iperó (SP), querem que o INCRA promova o despejo de um grupo dissidente de sem-terra instalado na mesma área. Líderes desse grupo, que compõem a Associação dos Pequenos Agricultores Rurais de Ipanema (Aspar) integrada por 57 famílias, acusaram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de estar pressionando o INCRA para que os retire da fazenda. "Não vamos sair porque entramos aqui juntos e temos os mesmos direitos que eles", disse Rubens Oliveira Santos, um dos líderes dos dissidentes. A Fazenda Ipanema, que pertence ao Ministério da Agricultura e ao IBAMA teve 1,7 mil hectares ocupados em maio de 1992 por 545 famílias. Mas a área ocupada é suficiente para no máximo 120 famílias, segundo o projeto de assentamento já aprovado pelo INCRA, pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo e pelo próprio MST. "A coordenação do MST errou ao trazer para cá um número de famílias três vezes maior do que a área comportava", disse Aparecido da Silva, outro líder dos dissidentes. Os dissidentes alegam que a coordenação regional do MST, que deveria ser neutra, está do lado do grupo maior, com 132 famílias, considerado a situação. Esse grupo integra a Associação Agroflorestal de Ipanema. Passamos a ser vistos como oposição porque não concordamos com os
80866 métodos deles, disse João Ferreira da Silva, da Aspar. O coordenador regional do MST, Sandro Silvantos Cavini, disse ontem que uma parte das famílias que ocuparam a Fazenda Ipanema terá que deixar a área mesmo estando há mais de dois anos no local. "Não há terra para todos", disse (O ESP).