Os deputados e senadores estão gastando US$1,5 milhão neste ano eleitoral para brindar seus eleitores com cartões, folhetos, jornais, calendários, cadernos escolares com a fotografia do parlamentar, sorridente e em cores, na capa, e até livros de poesia. É esta quantia-- suficiente para pagar o futuro salário-mínimo de US$70 para 120 trabalhadores durante um ano inteiro-- que o Congresso Nacional reservou para as publicações pessoais dos parlamentares. Tudo, naturalmente, financiado pelo contribuinte. Esse material é impresso no Centro Gráfico do Senado Federal (Cegraf), onde 918 funcionários trabalham dia e noite, em três turnos. Criado em 1963 com o objetivo de dar igualdade de condições ao parlamentar-- rico ou pobre-- na divulgação de suas atividades no Congresso, o Cegraf acabou prestando serviços eleitorais aos políticos, embora o próprio regimento proiba. Tanto é verdade, que o primeiro-secretário do Senado, Júlio Campos (PFL-MT), chega a admitir hoje que o parlamentar pode até imprimir santinhos com sua foto, seu nome e seu partido. "O que o deputado e o senador não podem é mandar imprimir cartazes ou calendários e santinhos que digam que ele é candidato ao cargo tal", diz Campos. Por este raciocínio, só se considera propaganda eleitoral o impresso que apontar o novo posto pleiteado pelo parlamentar. Tanto que a impressão de cadernos para serem distribuídos no estado do parlamentar, está liberada. E na lista dos parlamentares que incluíram os cadernos em sua cota de impressos está o próprio Campos (JB).