O escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Fortaleza (CE) emitiu ontem nota oficial sobre o aumento da mortalidade infantil no Ceará, em que critica o modelo de desenvolvimento econômico do estado. "No Ceará, que cresce economicamente mais rápido que a média do país e da região, o próprio tipo de desenvolvimento econômico encaminhado deverá ser questionado e redefinido se se constata que a mortalidade infantil não diminui no mesmo ritmo", diz a nota. Segundo o UNICEF, no Ceará "deve haver indignação frente a uma situação tão grave". As projeções para 1994 indicam uma taxa de cerca de 80 óbitos em crianças com menos de um ano de vida para cada grupo de mil no interior, e 70 por mil em todo o estado. O aumento da mortalidade é atribuído ao quadro de pobreza, analfabetismo, concentração de terra e de outros meios de produção em pouquíssimas mãos, "fatores mais importantes que a seca", destaca o UNICEF. Para reduzir a mortalidade infantil, o UNICEF recomenda a manutenção do programa de agentes de saúde, a municipalização da saúde, que já atinge mais de 110 municípios do Ceará, e a aceleração da reforma agrária, acompanhada de medidas para a melhoria da qualidade de vida das populações mais pobres. A nota pede o fim das fraudes e das distorções em alguns hospitais conveniados e o barateamento no custo dos medicamentos essenciais. Os médicos também são criticados pelo UNICEF "pelo excesso de especialização e o desvio de comportamento das condutas compatíveis com eficácia e custos aceitáveis" (JB).