A família Dart, detentora de cerca de US$1,4 bilhão em títulos da dívida brasileira criados pelo acordo de 1988 com os credores privados, entrou ontem com um processo contra o Banco do Brasil, o Banco Central e o Citibank numa corte de Nova Iorque (EUA). A petição pede o pagamento de juros atrasados e a aceleração do pagamento do principal dos Mydfas, sigla em inglês para Instrumento de depósito do acordo multianual". Os Dart retiraram esses ativos da Salomon Brothers, Bankers Trust e outras instituições que têm interesses no Brasil e não queriam envolver-se com a disputa judicial, e os depositaram na subsidiária do Canadian Imperial Bank nas Ilhas Caymã, CIBC Bank ant Trust Company. A pedido dos Dart, o CIBC contratou para iniciar o processo a firma de advogados Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison. Na origem da disputa judicial está a insatisfação dos Dart com o cardápio de opções negociadas pelo Comitê Assessor de Bancos com o governo brasileiro, para converter a dívida de 1988 e os juros atrasados em instrumentos com desconto do principal e juros pelas regras do Plano Brady. Os Dart queriam trocar todos os seus ativos por um único papel, o Bônus C, que não oferece desconto algum, mas tem juros fixos que o país paga parcialmente por sete anos, capitalizando a diferença não paga. O Comitê Assessor e o governo brasileiro recusaram o pedido. O Banco do Brasil entra no processo porque, na véspera da entronização do Plano Brady, em 15 de abril passado, o governo brasileiro decidiu que o banco estatal, também o maior credor externo do país, ficaria fora do acordo junto com a família Dart. Como o BB tem mais ativos da dívida antiga do país que os Dart, isso dificultaria um processo da família contra o país (GM).