O BRASIL NUNCA ESTEVE TÃO DOENTE

O Brasil nunca esteve tão doente, revela o Ministério da Saúde em estudo que aponta recrudescimento alarmante de várias doenças que se imaginava sob controle, além do aumento da mortalidade infantil. A desnutrição atinge 32 milhões de brasileiros, quase um quarto da população nacional, segundo levantamento apresentado ao Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA). "As secas, a falta de saneamento e a fome depauperam o organismo de grandes contingentes humanos, tornando-os ainda mais suscetíveis às grandes endemias", explica o relatório. Somente em 1993 o país registrou 530 mil casos de malária, cinco milhões de esquistossomose, outros cinco milhões de doença de Chagas, 200 mil de hanseníase e 100 mil de tuberculose. Ainda segundo o estudo, a cólera já atingiu 39 mil brasileiros esse ano, provocando 292 mortes, enquanto a dengue ressurgiu no Nordeste, levando pânico a Fortaleza (CE). Com 52 mil casos diagnosticados, a AIDS continua irradiando-se por todas as camadas da sociedade, causando, até hoje, mais de 20 mil mortes. A tudo isso, junta- se a agravante de o Brasil figurar, em recente relatório do Banco Mundial, como penúltimo país do mundo em distribuição de renda. O ministro da Saúde, Henrique Santillo, entrega hoje ao presidente Itamar Franco um plano de emergência para combater a mortalidade infantil no Nordeste. A proposta prevê a distribuição de um litro de leite por dia para crianças desnutridas entre seis e 23 meses de idade, a compra e distribuição de 60 toneladas de iodo e a vacinação de 5,3 milhões de mulheres em idade fértil para evitar o tétano. O Plano Emergencial de Ação em Saúde para o Nordeste, com duração prevista para três meses, sugere ainda a distribuição de doses maciças de vitamina A para crianças entre seis e cinco anos de idade (JB).