A imagem tradicional do migrante, que vem em busca de emprego no sul do país tangido pela seca nordestina, está em transformação. Embora legiões de retirantes continuem a desembarcar todos os dias nas grandes e médias cidades brasileiras, eles têm agora um novo perfil: tornaram-se nômades. A maioria saiu de seu estado de origem há muito tempo mas, vítima do desemprego, não consegue se fixar em lugar nenhum. Vive mudando de cidade em busca de trabalho. A Pastoral do Migrante, em São Paulo, abriga 280 desses nômades em um albergue no Centro. Destes, apenas 10% estão na cidade pela primeira vez. No albergue, eles podem ficar apenas por uma ou duas semanas. Se não arrumam trabalho, são encaminhados para um órgão assistencial do governo paulista que lhes oferece passagens para onde quiserem. Pesquisa realizada há um ano pela prefeitura de São Paulo deu dimensão ao exército de migrantes nômades que passa pela cidade. Entre quatro mil pessoas recolhidas das ruas da capital no inverno do ano passado, pelo menos 25% delas já tinham deixado São Paulo pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores. Foram embora e voltaram (JB).