Preocupados com um anunciado câmbio fixo que seria implantado nos três primeiros meses do real, com reflexos negativos junto ao MERCOSUL, exportadores e entidades empresariais gaúchas solicitaram nesta semana ao ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, urgente definição do governo sobre as regras do câmbio com a mudança da moeda. A manutenção do câmbio fixo e inexistência de compensações (redução ou extinção de impostos internos nas exportações, tipo Finsocial, IPMF etc.) poderá à médio prazo significar perdas às indústrias e até demissões entre trabalhadores, na competição com os outros países do MERCOSUL, segundo temem alguns empresários, como ex-presidente da FIERGS e diretor da DHB, Luiz Carlos Mandelli. A convicção dos empresários é de que haverá uma perda de mercado no MERCOSUL não só pela chegada de uma moeda forte e economia estabilizada, mas especialmente por um câmbio fixo, sugerido pelo governo, diante de aumento de custos internos (reajustes salariais etc.) e da defasagem cambial-- 8,7% segundo o governo, 30% conforme os empresários. Mas ninguém se arrisca a palpitar sobre qual o percentual de mercado que será perdido para os países vizinhos. Segundo maior estado brasileiro exportador-- só superado por São Paulo--, o Rio Grande do Sul exportou US$606 milhões para os países do MERCOSUL no ano passado. Mas o valor significou pouco mais de 10% dos US$5,396 bilhões do total de exportações gaúchas. Diante dos tempos da Alalc e Aladi, o incremento de negócios no MERCOSUL não foi significativo: cerca de 5% a mais. A própria participação gaúcha nas exportações brasileiras ao MERCOSUL atinge a 7,5% (JB).