Na esteira de sua campanha contra a conferência da ONU sobre população e desenvolvimento, a realizar-se no Cairo em setembro, o papa João Paulo 2o. negou que a Igreja Católica ainda considere o sexo um tabu, ressalvando, por outro lado, que a reunião do Egito não deve relevar os valores humanos. "A Igreja é às vezes criticada por converter o sexo em tabu. A realidade é completamente diferente", assegurou João Paulo aos fiéis reunidos na Praça São Pedro para a bênção do pontífice. O papa explicou que o pensamento cristão desenvolveu "uma visão harmoniosa e positiva do ser humano, reconhecendo o significado e o precioso papel que tem a sexualidade na vida". Mas o líder dos 960 milhões de católicos em todo o mundo reiterou que a Igreja só aprova as relações heterossexuais dentro do matrimônio. Neste contexto, o papa classificou a contracepção, o amor livre e o homossexualismo como condutas "moralmente inaceitáveis que distorcem o profundo significado da sexualidade". João Paulo recomendou que os participantes da conferência do Cairo só tomem decisões inspiradas por autênticos valores humanos. O Vaticano teme que a conferência, que estuda um plano para estabilizar a população mundial em 7,2 bilhões de habitantes num período de 20 anos, faça a promoção do aborto e de métodos artificiais de controle da natalidade. A Igreja condena o aborto e só aprova métodos naturais de contracepção. Nos últimos meses, o Vaticano vêm manifestando sua reprovação ao esboço do documento final da conferência. O projeto de resolução da ONU reconhece o direito dos casais à "eliminação da gravidez indesejada" e exorta a comunidade internacional a estabelecer rapidamente um centro mundial de distribuição de contraceptivos (O Globo).