IRRIGAÇÃO CAUSA DANOS ECOLÓGICOS NO NORDESTE

Os projetos de irrigação do Nordeste brasileiro estão usando água de forma inadequada, provocando graves problemas ambientais, como a erosão e a salinização dos solos. As projeções de consumo de água pelas culturas irrigadas estão sendo baseadas em fórmulas matemáticas importadas, que não se adaptam à realidade regional. O alerta é de pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Eles encontraram diferenças de até 20% entre o volume de água efetivamente consumido pelas plantas e a quantidade prevista pelas fórmulas internacionais. A margem de erro aceitável nesse tipo de cálculo não ultrapassa 3%. Para estimular a quantidade de água consumida por uma determinada cultura, as fórmulas matemáticas internacionais empregam dados locais de temperatura, umidade, chuvas e ventos, entre outros, mas multiplicam esses dados por constantes (valores-padrão) obtidas em experiências com irrigação nos EUA. Para as frutas tropicais, que ocupam a maioria dos terrenos irrigados no Nordeste, sequer existem constantes calculadas. O principal dado causado ao solo pelo uso excessivo de água na irrigação é sua salinização. Como não é absorvido pelas plantas, a água que evapora deixa no solo grandes concentrações de sais, que queimam as bordas das folhas e comprometem sua fotossíntese. Um estudo coordenado pela Fundação Joaquim Nabuco mostrou que 70% das águas usadas na irrigação no semi-árido nordestino têm altos níveis de salinidade. Segundo o pesquisador José Júlio Vilar, 30% das áreas irrigadas estão com solos impróprios para plantio. Outros problemas são a erosão e a lixiviação (lavagem de nutrientes) do solo. O Brasil desperdiça por ano 800 milhões de toneladas de solos férteis, arrastados para os rios e o mar, calcula a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) (O Globo).