ENSINO DE ALAGOAS É O PIOR DO PAÍS

Indicadores oficiais apontam o ensino público estadual de Alagoas como o pior do Brasil. O índice de analfabetos cresce no estado e no ano passado superou o do Piauí. Alagoas recebeu nota zero nos quatro itens de uma avaliação do ensino público dos estados feita em 1992 pela Secretaria de Educação Fundamental do Ministério da Educação. Essa avaliação serve para que o ministério defina quanto aplicará em recursos como incentivo aos estados no ano subsequ"ente. Em razão de zero, Alagoas não recebeu recursos da secretaria no ano passado. O melhor desempenho ficou com o Piauí, com média 6,5, seguido por Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, com 6,2. Alagoas é o único estado brasileiro onde o analfabetismo cresceu nos últimos 10 anos. Esse crescimento foi 3,3% no período. De acordo com a secretaria, 45,4% da população maior de 10 anos era analfabeta em 1993. Esse índice é 10,4 pontos percentuais superior à média da região Nordeste do país. Um total de 71% dos alagoanos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que conhecem algumas letras e conseguem escrever o nome. Todos os números sobre a educação pública estadual de Alagoas mostram
80761 que a situação é de falência, destruição e sucateamento, afirma Milton Canuto, presidente do Sintel (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas), ligado à CUT e que reúne 22 mil servidores. Com o objetivo de conseguir melhores salários e condições de trabalho, o Sintel promoveu 15 meses de greve nos últimos três anos no estado. Em decorrência das greves, 60% das escolas alagoanas anularam o ano letivo de 1992. Em 1993, o índice chegou a 30%. A rede estadual de ensino de Alagoas tem 163 mil alunos, mas já chegou a ter 350 mil. Estão fechadas em todo o estado 60 das 454 escolas da rede estadual por falta de condições de funcionamento. Funcionam clandestinamente 635 das 915 escolas particulares do estado. Só 280 estão constituídas legalmente (FSP).