METADE DE MANAUS VIVE EM FAVELAS E CORTIÇOS FLUVIAIS

Manaus (AM) sofreu um processo de favelização nos últimos dois anos que atingiu metade da população. Nesse período, 600 mil pessoas, a maioria vindas do interior do Amazonas, se concentraram em casas construídas precariamente à beira dos córregos e do rio Negro. Outras 200 mil vivem em favelas na periferia da cidade. O perfil dos habitantes dessa espécie de favela é o seguinte: 44,9% têm até 18 anos; 61,3% não são casados; 38,1% têm o segundo grau incompleto e 36,6% concluíram o segundo grau. Segundo a socióloga Heloísa Lara, o surto migratório para Manaus começou em 1975, quando se completou a instalação da Zona Franca de Manaus. Ela considerou novo e "surpreendente" o dado de escolaridade dos moradores dos igarapés (36,6% com segundo grau completo). De acordo com a socióloga, o número revela que as pessoas de menor poder aquisitivo estão trocando o custo da moradia pelo custo da educação. "É mais barato estudar do que morar. As pessoas estão preferindo investir na educação em lugar da habitação", disse (FSP).