O Brasil gasta 11 vezes mais dinheiro para tratar problemas de saúde provocados por abortos do que em programas de planejamento familiar. O Ministério da Saúde calcula que ocorram por ano até dois milhões de abortos clandestinos. Só em 1994, o ministério deve gastar US$2,8 milhões em internações por sequelas de abortos. Em contrapartida, o programa de distribuição de contraceptivos vai custar ao governo US$250 mil. De acordo com dados do ministério, a cada dois minutos uma mulher é internada em um hospital conveniado ao SUS (Sistema Único de Saúde) para tratar de complicações causadas por aborto. O governo estima que são feitos por ano entre 800 mil e dois milhões de abortos no país. Os números são imprecisos pois os abortos são clandestinos. Segundo o ministério cerca de 1,5 milhão de mulheres morrem todo ano vítimas de aborto. Consideradas as dificuldades de gestação e parto, esse número chega a cinco milhões. Enquanto não houver uma política agressiva de incentivo ao planejamento
80755 familiar, os casos de abortos clandestinos e esterilizações serão sempre
80755 crescentes, diz o ministro da Saúde, Henrique Santillo. As dificuldades para se implantar o programa de planejamento familiar é atribuída à desorganização e falta de empenho político. Nos últimos 12 meses, o governo distribuiu 1.410 cartelas de anticoncepcionais, 2,8 milhões de preservativos e 116 mil tubos de espermicidas. Foram comprados ainda 70 mil DIUs (Dispositivos Intra-Uterinos) e 20 mil diafrágmas. O lote de contraceptivos atendeu a menos de 10% do contingente feminino previsto no programa. Em todo o país, apenas 300 unidades de saúde distribuem contraceptivos e oferecem programa de planejamento familiar à população. O Ministério da Saúde não tem controle sobre a distribuição (FSP).