Estudos preliminares do governo indicam uma mudança significativa nos movimentos migratórios no país. Proporcionalmente, as regiões Sul e Sudeste têm recebido menos migrantes do que a região Norte. Os levantamentos estão sendo feitos pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O trabalho baseia-se no censo populacional relativo ao período de 1980 a 1991, ainda não divulgado. Nesse período, o número de pessoas que deixaram a região Sul em direção a outras regiões é maior do que o de brasileiros que abandonaram o sertão nordestino. Saíram da área rural do Sul 1,4 milhão de pessoas, número praticamente três vezes maior do que os 500 mil sertanejos que abandonaram o campo nordestino. A população nordestina diminuiu de 17,2 milhões para 16,7 milhões. A do Sul caiu de 7,1 milhões para 5,7 milhões. Pela primeira vez nos últimos 50 anos, a região Sul apresentou baixa taxa de aumento populacional-- 3,1 milhões de pessoas ao ano, no período compreendido pelo censo. Nas décadas de 60 e 70, a migração para o Sul havia atingido o seu pico: 4,7 milhões de pessoas, que, na maioria, buscavam melhores oportunidades de vida naquela região. No Sudeste, houve um crescimento populacional de 11 milhões de pessoas entre 80 e 91. Ainda assim, a taxa foi 8% menor do que a registrada na década de 70. A falta de oferta de emprego e de boa qualidade de vida teria transferido o fluxo migratório para regiões menos populosas. O IPEA prevê que até o ano 2000 haverá uma reorganização "natural" da distribuição populacional. Pela tese do órgão, os migrantes tenderão a ocupar municípios com menos de 20 mil habitantes. O estudo do IPEA afirma que as principais causas da queda dos movimentos migratórios no país estão ligados a dificuldades geradas pela crise econômica e à disseminação indiscriminada de diferentes formas de controle da natalidade. O IPEA também considera que a queda da fecundidade registrada de maneira generalizada nas áreas urbanas vem agora também se registrando entre as populações do campo, impedindo dessa maneira também o crescimento desenfreado da popunação nas áreas rurais. Relatório ainda não divulgado pelo Ministério do Planejamento aponta uma queda da taxa anual de crescimento da população durante esta década para 1,6% ao ano. Na década passada, esse crescimento foi de 1,9% ao ano. Esse número significa que, ao final deste ano, o Brasil terá mais 2,1 milhões de habitantes. E, no ano 2000, mais 19 milhões. Uma população total de 169 milhões de pessoas. Se o Brasil mantivesse a taxa de crescimento da década de 60 (2,9%), a população brasileira seria bem maior. As projeções com esta taxa de crescimento mostram que o país teria no ano 2000 uma população de quase 210 milhões de habitantes (FSP).