A miséria produziu no município de Remígio (PB) a maior concentração de indigentes da Paraíba. De acordo com o documento "A Fome Hoje", elaborado em maio do ano passado pelo Conselho Regional de Economia da Paraíba, 91,4% da população da cidade são indigentes. Os indigentes são aproximadamente 16,5 mil dos 18 mil habitantes de Remígio. Em segundo lugar no ranking da miséria no estado aparece Camalaú (91,1% de indigentes). O documento classifica como indigentes as pessoas com rendimento mensal entre zero e um salário-mínimo. Do total de indigentes de Remígio, 44% não têm nenhum tipo de rendimento. Os demais 56% ganham até um salário-mínimo. Os aposentados da Previdência recebem o mínimo. Os não-aposentados ganham entre um quarto e metade do mínimo. Segundo a vice-presidente do Conselho Regional de Economia, Zélia Maria Almeida, os indigentes de Remígio passam fome e não conseguem comprar nem mesmo uma cesta básica para toda a família. Comem um dia e no outro não. A alimentação é à base de feijão e farinha de mandioca. No universo dos miseráveis, só há comida quando se consegue trabalho para arrancar tocos no mato das fazendas espalhadas pelos 553 quilômetros quadrados de área do município. Para homens, os fazendeiros pagam diárias que variam de CR$7 mil a CR$10 mil por serviços d vaqueiro e limpador de mato. O trabalho de mulheres e crianças tem remuneração ainda menor. Elas ganham de CR$1,5 mil a CR$2 mil por semana para limpar mato e arrancar tocos. As famílias são formadas geralmente por oito a dez pessoas. As casas onde moram são de taipa, com piso de barro e não têm sanitários. A água que consomem não é tratada. Apesar de não aparentar miséria por causa das ruas calçadas, praças cuidadas e casas aparentemente em bom estado, a zona urbana abriga 10 mil pessoas que dependem do fraco comércio e dos baixos salários pagos pela prefeitura local. Com exceção dos ocupantes de cargos de confiança do prefeito, ninguém ganha salário-mínimo. Os salários variam de CR$7 mil a CR$60 mil. O prefeito José Passos (PL) diz não ter condições de pagar o salário-mínimo. Ele diz ganhar 1.618 URVs como prefeito. É dono do único hospital da cidade, do clube de diversão e da empresa de ônibus inter-municipal. Remígio tem índice de mortalidade infantil equivalente ao do Estado da Paraíba, que é 40% maior que a média nacional. De cada mil crianças que nascem vivas, 70,9 morrem antes de completar o primeiro ano de vida (FSP).