GRUPOS DE EXTERMÍNIO: 1.200 MORTES EM 10 MESES

Dez meses após o massacre de 21 favelados em Vigário Geral, o Rio de Janeiro volta a viver sob a intimidade dos grupos de extermínio: criminosos que ostensivamente ameaçam as instituições públicas, as organizações de direitos humanos e tramam execuções de acordo com seus interesses. Depois do massacre, atribuído a um grupo heterogêneo batizado de "Cavalos Corredores", cerca de seis mil pessoas já foram vítimas de homicídios dolosos no Rio: a polícia calcula que cerca de 1.200 (20% do total) foram mortas por grupos de extermínio nos municípios do Rio, da Baixada Fluminense e do interior. De cada 10 casos, em nove a impunidade está garantida: faltam testemunhas, empenho e competência das autoridades. Em represália à prisão de alguns dos seus integrantes, as sombras dos Cavalos Corredores voltaram a se projetar sober misteriosos crimes que têm ocorrido na cidade: crianças assassinadas na zona sul e nos subúrbios, oficiais da PM tocaiados e até o apartamento de um juíza (diretamente envolvida nos processos de chacinas) estranhamente invadido. Segundo apourou a extinta Delegacia Extraordinária de Polícia (DEP), os Cavalos Corredores teriam participado de pelo menos 40 crimes de repercussão no estado (O Globo).