Apesar de ter sua base eleitoral no Rio Grande do Sul, o senador José Paulo Bisol (PSB), candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou quatro emendas ao Orçamento da União destinadas a Buritis-- município mineiro onde está localizada a Fazenda São Vicente da Direita, pertencente ao senador. De acordo com o banco de dados da Comissão Mista de Orçamento, Bisol reservou para a região US$8,6 milhões. O dinheiro deverá ser aplicado, segundo os registros oficiais do Congresso, na construção de córrego e compra de equipamentos agrícola para a região. Ao justificar, por escrito, a necessidade de uma das pontes, Bisol sustentou que a obra resolveria o "problema de escoamento da produção da Serra Palmeira com 20 toneladas de grãos e leite". Por meio de sua assessoria de imprensa, o senador, que se destacou no ano passado como um dos xerifes da CPI do Orçamento, informou ter feito as emendas a pedido do prefeito de Buritis, de quem é amigo, e não por Interesse próprio". De acordo com a declaração de bens entregue pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Fazenda São Vicente da Direita, também chamada Sinos DÁgua, tem área de 1.108 hectares e vale cerca de CR$390 milhões. Na campanha presidencial de 1989, o candidato do PDT, Leonel Brizola, acusou Bisol de ter sido favorecido por financiamento do Banco do Brasil para a Fazenda São Vicente. As quatro emendas emendas para Buritis não foram as únicas apresentadas por Bisol ao Orçamento deste ano: ele é autor de mais 14, algumas destinadas a Maceió (AL), onde o PSB comanda a prefeitura, e outras para seu estado. O relatório final da CPI do Orçamento, do qual o senador é co-autor, recomendou a extinção das emendas individuais e sua substituição por emendas de bancadas e partidos, mediante novos critérios de distribuição de verbas. Com a proximidade das eleições, no entanto, essas sugestões foram esquecidas. No Orçamento deste ano, previsto para ser votado em agosto, cada parlamentar teve o direito de propor 25 emendas, sem limite de valor. A disputa pelos recursos levou deputados e senadores a apresentar 13 mil propostas de modificação. Além do vice de Lula, os vices de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), senador Guilherme Palmeira (PFL-AL), e de Leonel Brizola (PDT), senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ), usaram sua cota de 25 emendas. O senador Palmeira, por exemplo, fez emendas milionárias: destinou US$22 milhões para irrigação e drenagem em Penedo (AL). Os dois candidatos a presidente com assento no Senado não fizeram emendas. Responsável pela preparação do Orçamento quando era ministro da Fazenda, Cardoso não aparece entre os autores. O mesmo se repete em relação a Esperidião Amin (PPR-SC). Já o candidato do PL, deputado Flávio Rocha (RN), não economizou em favor dos cofres públicos: suas emendas somaram US$505 milhões (O ESP).