A discussão de soluções para erradicar o trabalho infantil e garantir os direitos dos adolescentes que trabalham marcou a primeira palestra da série "Meninos de Rua", realizado pelo jornal "Folha de S.Paulo" no último dia 22, em São Paulo (SP). Participaram da discussão o presidente da Fundação ABRINQ, o empresário Oded Grajew, e Marise Egger, conselheira da fundação e assessora para a área de trabalho infantil da Secretaria Estadual da Família e Bem-Estar Social. Entre as soluções discutidas, ganhou destaque a proposta de o poder público intermediar a contratação de adolescentes que estudam, entre 15 e 18 anos, por empresas, a exemplo do que vem sendo feito pela prefeitura de Santos (SP). Também foram debatidas formas de incentivar projetos como o Nossas Crianças, da Fundação ABRINQ, que recebe doações de empresários e auxilia crianças carentes, impedindo que elas deixem a escola para entrar no mercado de trabalho informal. Os participantes do debate destacaram a gravidade do problema da infância no país, lembrando que quatro crianças são assassinadas por dia no Brasil e que, no ano passado, aumentou o índice de mortalidade infantil. Para resolver o problema, Grajew diz ser necessário "se mobilizar para que todos os níveis governamentais, o Judiciário e o Legislativo, tenham como prioridade a criança". Segundo Marise, trabalham no Brasil três milhões de crianças de 10 a 14 anos e cinco milhões de adolescentes. Entre as crianças, 50% não recebem nenhuma remuneração. As outras 50% recebem, em média, 30% de um salário- mínimo. Ela também apresentou números sobre a escolaridade das crianças que trabalham. Em 1989, havia 4,4 milhões de crianças entre sete e 14 anos fora da escola. Apenas 15% dos adolescentes chegam a completar a 8a. série (FSP).