EPIDEMIA DE AIDS AVANÇA PARA O INTERIOR DO ESTADO DO RJ

A AIDS avança para as cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro. Embora o município do Rio tenha o maior número de notificações (5.851, da década de 80 a março deste ano), proporcionalmente, são as cidades do interior que têm registrado crescimento mais acentuado do número de casos. Os dados constam do último boletim epidemiológico sobre AIDS da Secretaria Estadual de Saúde, que aponta Niterói como o município com maior incidência em todo o estado: em cada 100 mil habitantes, 112,71 têm AIDS. O Rio está em segundo lugar (111,71), seguido por Petrópolis (68,85), Cabo Frio (66,67), Miguel Pereira (45,71), Duque de Caxias (44,09), Mendes (43,48), Macaé (43,11), Mangaratiba (42,94) e São João de Meriti (41,91). A mudança no perfil da doença não é apenas geográfica. Há 10 anos, a AIDS atingia principalmente a classe média alta. Hoje, é cada vez maior o número de vítimas entre as camadas mais pobres da população. Desde o início da doença, foram notificados, em todo o estado, 8.350 casos de AIDS, sem contar os portadores assintomáticos. A cada semana, surgem dois novos casos de AIDS em Campos, no norte fluminense, e pelo menos uma pessoa morre vítima da doença. Segundo a Secretraria de Saúde do município, 60% desses casos são de pessoas de outras cidades que vão a Campos em busca do único hospital público de referência no tratamento da AIDS na região, o Hospital Ferreira Machado. Uma das maiores mudanças no perfil da epidemia é o aumento do número de mulheres infectadas-- que triplicou nos últimos 10 anos. Em 1984, para cada 13 homens com AIDS, havia uma mulher doente. Hoje, essa relação é de quatro para uma. São as mulheres as mais atingidas na transmissão heterossexual, que vem aumentando em relação aos homossexuais e bissexuais. Em 1987, os casos de heterossexuais contaminados correspondiam a 1,8% do total. Este ano já são 14,11%. A maior contaminação de mulheres alterou o perfil da doença entre menores de 15 anos. Até 1986, a maior contaminação de crianças era por transfusão de sangue e menos de 10% tinham sido contaminadas pela mãe. Nos últimos quatro anos, o índice de crianças que já nascem com AIDS subiu para 60% (O Globo).