O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, defendeu ontem a decretação de estado de calamidade pública no Nordeste, devido ao aumento da mortalidade infantil. "O governo tem de atuar como se estivesse diante de uma tragédia", justificou. O pedido a Aristides teve apoio do presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luciano Mendes de Almeida, e do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, articulador nacional da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. Os três enviaram ontem nota ao presidente Itamar Franco, considerando a situação "alarmante". O pedido do procurador está baseado nas revelações da Pastoral da Criança, confirmada pelo Ministério da Saúde, de aumento da mortalidade infantil, principalmente no interior do Nordeste. Para aumentar a pressão, o CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) emitiu nota endereçada ao presidente Itamar Franco pedindo "estado de emergência". Segundo o presidente do CONSEA, dom Mauro Morelli, esta iniciativa significa "convocar toda a nação, todas as formas de serviços, para priorizar a atenção à criança" (FSP) (O Globo).