Há uma novidade no front da campanha contra a fome: embora tenham diminuído as doações de alimentos por pessoas e pequenos grupos, crescem as contribuições de empresas e instituições. O saldo dessa mudança é que a arrecadação de comida entre os 750 comitês da campanha no Estado de São Paulo mantém-se no mesmo patamar do final do ano passado. No comitêde Vila Sônia, zona oeste de São Paulo, foram distribuídos, nos últimos meses, mais de uma centena de cestas básicas entre as famílias de uma favela local. Na semana passada, o Banco Multiplic anunciou que vai fornecer 1.250 quilos de alimentos e 3.360 peças de roupas ao comitê de Vila Sônia. A segunda etapa da campanha, voltada para a criação de empregos, também dá seus primeiros passos. A Federação Paulista de Futebol doou CR$70 milhões, o equivalente a 1% da bilheteria do campeonato estadual de São Paulo, encerrado no mês passado. Esse dinheiro, em vez de comprar comida como acontecia até recentemente, foi destinado à construção de uma cozinha industrial e uma creche em uma favela e também à compra de um caminhão para uma associação de 100 famílias da cidade de Andradina. Essas famílias formaram uma cooperativa: os homens trabalham com o beneficiamento de arroz e as mulheres fazem bordados. O caminhão vai permitir que o arroz beneficiado seja transportado para os atacadistas. Uma empresa de convênio médico, a Nipomed, doou CR$3,5 milhões, que foram revertidos para uma pequena fábrica de calçados que emprega 30 ex- meninos de rua. Um dos projetos na fila de espera envolve famílias de agricultores assentados no Sumaré. Eles já têm a terra, mas precisam de dinheiro para começar a cultivar batatas. Possivelmente, receberão o dinheiro que a fábrica de roupas Levys comprometeu-se a doar (JB).