CONSEA: MORTALIDADE INFANTIL É CASO DE CALAMIDADE

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA) pedirá ao presidente Itamar Franco que trate a mortalidade infantil no país como um problema de calamidade pública. Os membros do Conselho querem que Itamar libere recursos, em caráter emergencial, para o combate à desnutrição e às doenças que vêm matando crianças brasileiras. Dados colhidos pela Pastoral da Criança da CNBB são alarmantes: de 1993 para 1994, houve um crescimento de 15% no total de mortes de crianças no país. No Nordeste, o índice chega a 22%. "O agravamento do problema é questão de calamidade pública. O governo tem que assumir isso e dar prioridade ao repasse de verbas para as áreas de educação e saúde", argumenta Flávio Valente, coordenador do Programa Criança Contra a Fome e Pela Vida, do CONSEA. Segundo a Pastoral da Criança, os índices de mortalidade infantil no Brasil tendem a subir ainda mais este ano-- 17,8% em todo o país e 28,9% no Nordeste. A falta de recursos para os setores de saúde e saneamento básico, a seca no Nordeste e a má distribuição de renda são apontadas como as principais agravantes. Segundo o CONSEA, há no Brasil 15 milhões de indigentes infanto-juvenis, sendo que mais de 13 milhões são menores de 14 anos (O Globo) (JC).