O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), dom Mauro Morelli, condenou ontem o método de esterilização voluntária em mulheres e homens, regulamentado pelo projeto do deputado Eduardo Jorge (PT-SP), aprovado na Câmara dos Deputados. "Concordo com o planejamento responsável e o controle familiar, mas não abençôo métodos contraceptivos que trazem danos como a mutilação ou terapias químicas danosas", afirmou. Dom Mauro destacou que a Igreja não discute a gratuidade da esterilização, "mas a moralidade". Ele considera necessário o planejamento familiar e sua discussão dentro do programa de combate à fome e à miséria, mas ressalvou que não deve ser utilizado qualquer método contraceptivo. "Esperamos que a ciência encontre métodos que não tenham efeitos danosos. Os fins não justificam os meios", salientou. Dom Mauro acrescentou que se uma pessoa quiser, voluntariamente, fazer vasectomia ou laqueadura "não vai brigar com ela". No Brasil, cerca de três quartos das mulheres férteis são casadas e dois terços delas utilizam anticoncepcionais, segundo estudo publicado pelo IBGE em 1988. Esses dados são aproximados. O Brasil tem atualmente cerca de nove milhões de mulheres esterilizadas, segundo estimativa aceita pelo Ministério da Saúde, e por demógrafos e grupos feministas. Como o total de mulheres férteis-- casadas ou não-- é de aproximadamente 35 milhões, conclui-se que quase um quinto das mulheres brasileiras estão esterilizadas (JB).