A alta de 54% nos índices de mortalidade infantil no Ceará, divulgada pelo Ministério da Saúde, foi atribuída pela coordenadora do Programa da Saúde do estado, Maria Inês Vasconcelos do Amaral, à seca de 1993 e ao aumento dos casos de morte por diarréia nos meses de fevereiro a maio. No ano passado, o Ceará ganhou um prêmio do UNICEF pela reduçãoo de 32% na taxa de mortalidade infantil no estado. Ela ressalta, no entanto, que não pode afirmar se este novo índice de mortalidade abrange so crianças com menos de um ano de idade, porque desconhece os detalhes da pesquisa realizada pelo Ministerio da Saúde. Segundo ela, a Secretaria Estadual de Saúde enviou ao Ministério resultados de uma pesquisa feita em 18 municipios - não incluindo Fortaleza - com base em dados de mortalidade infantil registrados de janeiro a dezembro de 1993 pelos agentes de saúde. Estes dados apontam um índice médio de 65 óbitos por mil nascidos vivos. A taxa variou de 18 mortos em Cascavel até 104 em Acopiara. O levantamento apontou ainda a diarréia como responsável por 26% dos óbitos - 30% no primeiro semestre e 20% no segundo. A médica Verônica Said de Castro, do Mininstério da Saúde, que assessora na área de infecções respiratórias o programa Viva Criança, da Saúde estadual, disse que em agosto de 1994 o UNICEF fará de novo pesquisa sobre mortalidade infantil.A pesquisa realizada nos anos de 1987 e 1990 pelo UNICEF no Ceará apontou uma queda de 32% na taxa da mortalidade infantil no período - de 57 para 39 por mil nascidos vivos -, o que conferiu ao estado brasileiro o prêmio Maurice Pate em 1993. A médica Verônica Castro se recusou a comentar a pesquisa do Ministério da Saúde - feita a pedido do presidente Itamar apos denúncia da Pastoral da Criança, da CNBB (JB).