A péssima distribuição de renda, a seca prolongada e a redução de 50% dos recursos destinados à saúde nos últimos anos foram apontadas pelo representante do UNICEF no Brasil, Ogap Kayayan, como as principais causas do aumento expressivo da mortalidade infantil no Nordeste, no primeiro trimestre deste ano. De acordo com dados da Pastoral da Criança da CNBB, apresentados ontem pelo Unicef, nos primeiros três meses de 93 de cada 1000 crianças com menos de 1 ano, 52,9 morreram na região. Em 94, as mortes aumentaram para 73,9 em 1000. No Piauí, o índice cresceu de 52,7 para 74,1 em 1000. No Ceará, os dados sao estarrecedores: a taxa de 51,8/1000, em 93, aumentou no primeiro trimestre de 94 para 116,2/1000. Em Alagoas, os números também preocupam. No ano passado foram registrados 77,2 obitos em 1000, e este numero, no primeiro trimestre de 94, aumentou para 100,8 em 1000. É uma vergonha para um país como o Brasil apresentar índices de
80694 mortalidade que no Nordeste, em média, chegam a 70 em cada grupo de mil
80694 crianças até um ano de idade, afirmou Kayayan. Ele acha que o país tem todas as condições para reduzir drasticamente esses índices. "Mas é preciso empenho nessa missão e deixar de considerações partidárias na hora de tratar questões sociais como saúde e educação", reclamou Kayayan. O representante do UNICEF disse que os dados da CNBB e do Programa de Agentes Comunitários de Saúde, que foram encaminhados ao presidente Itamar Franco, serão agora analisados pela área técnica da instituição. Sabemos que, em geral, a mortalidade infantil aumenta no Nordeste nos
80694 primeiros meses do ano, quando chove. Mas, mesmo assim, o número de
80694 óbitos cresceu expressivamente, ressaltou. O país está gastando hoje com saúde a metade do que aplicava em 87, mas
80694 felizmente o atendimento preventivo melhorou. Se isto nao estivesse
80694 acontecendo teria sido um desastre, assinalou, ao citar que programas com o de Agentes Comunitários de Saúde têm conseguido resultados inportantes em diversas regiões. "Não se resolve o problema trocando ministros, procurando culpados, porque isto so iria atrasar ainda mais os programas em execução", afirmou, ao defender o Ministro da Saúde, Henrique Santillo. Kayayan defendeu mais recursos para a saúde, "menos corrupção" e melhor aplicação do dinheiro disponível. "Um país em processo de recessão tem que aumentar os investimentos em programas sociais e não cortar esses gastos", argumentou o representante do UNICEF. Kayayan citou o exemplo de Costa Rica, que hoje apresenta índices de mortalidade infantil bem melhores do que o do Brasil. Enquanto no Brasil 54 em 1000 crianças morrem antes de completar um ano, em Costa Rica o índice cai para 14 em 1000. Cuba conseguiu diminuir a mortalidade à proporção de 10 para 1000 e no Chile o indice é de 15 para 1000 (JB).