A Anistia Internacional acusou ontem o governo Bill Clinton de continuar fornecendo armas e dinheiro para financiar atividades de segurança pública em países que violam os direitos humanos, entre eles o Brasil. Segundo o relatório, intitulado "Direitos Humanos e Assistência Americana à Segurança", e divulgado ontem em Washington, o Brasil vai receber dos EUA em 1995 US$1 milhão para o combate ao tráfico de drogas, terrorismo e crime e US$100 mil para treinamento militar. Além disso, diz o documento, os EUA vão vender armas no valor de US$20 milhões ao Brasil no ano que vem. O estudo diz que a Anistia tem diversas preocupações com o Brasil em termos de desrespeito aos direitos humanos: execuções extrajudiciais, tortura e maus tratos contra pessoas comuns, impunidade, prisões arbitrárias, violência rural e perseguição a indígenas. A Anistia reconhece que "em alguns casos muito divulgados, como o massacre das crianças de rua na Candelária e o massacre dos yanomamis, o governo federal respondeu depressa". "Mas depois que a atenção pública nacional e internacional enfraqueceu, as autoridades falharem em dar prosseguimento às medidas", afirma o relatório. Os 19 países que desrespeitam os direitos humanos e recebem assistência dos EUA, segundo a Anistia, são: Bolívia, Brasil, Chade, Indonésia, Quênia, Kuait, Malawi, Marrocos, Peru, Filipinas, Tailândia, Tunísia, Venezuela, Israel, Egito, Coréia do Sul, Turquia, Arábia Saudita e Colômbia (FSP).